Boletim 350 - 22 de junho de 2007
Os planos da CTNBio de continuar liberando novas variedades de milho transgênico foram frustrados esta semana em decorrência de uma ação civil pública ajuizada contra a União Federal na última sexta-feira, dia 15/06/07, pelas organizações Terra de Direitos, Idec - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, AS-PTA e ANPA - Associação Nacional dos Pequenos Agricultores.
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POR UM BRASIL
LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 350 - 22 de junho de 2007
Car@s
Amig@s,
Os planos da CTNBio de continuar liberando novas variedades de
milho transgênico foram frustrados esta semana em decorrência de uma ação civil
pública ajuizada contra a União Federal na última sexta-feira, dia 15/06/07,
pelas organizações Terra de Direitos, Idec - Instituto Brasileiro de Defesa do
Consumidor, AS-PTA e ANPA - Associação Nacional dos Pequenos
Agricultores.
O objetivo da ação é anular a decisão técnica da Comissão
Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio que autorizou a produção,
comercialização e consumo do milho resistente a herbicida Liberty Link, da
Bayer. A ação judicial também pretende obrigar a CTNBio a agir com maior rigor e
definir suas normas internas antes de tomar decisões sobre liberações
comerciais.
A liberação do milho da Bayer foi concedida em 16/05/07,
mesmo sem a Comissão ter regras sobre como proceder nos casos de liberação
comercial. A fundamentação técnica da decisão só foi publicada três semanas após
a liberação, no dia 08/06.
Em 18/06, a juíza federal Pepita Durski
Tramontini Mazini, da Vara Ambiental de Curitiba, proibiu a CTNBio de autorizar
qualquer pedido de liberação comercial de milho transgênico até que seja
apreciada a liminar - o que será feito após a manifestação da União no prazo de
72 horas.
Atendendo ao pedido da União, a juíza permitiu que a CTNBio
realizasse normalmente a reunião dessa semana, deliberando sobre os outros
pontos em pauta. Ficou ressalvado, contudo, que os efeitos de eventuais
autorizações de liberação comercial de milho transgênico ficariam suspensos até
que fosse apreciado o pedido liminar.
As organizações fundamentam a
ação em diversas ilegalidades que afrontam a legislação brasileira cometidas
durante todo o processo de liberação, como a inexistência de normas de liberação
comercial. Além disso, não existem regras para coexistência entre lavouras
transgênicas e não-transgênicas. Durante esta semana este Boletim
divulgou casos concretos de agricultores prejudicados pelo descontrole do uso
dos transgênicos.
A suspensão das liberações também está sendo
importante porque evita que a CTNBio libere outras variedades de milho
transgênico antes de criar um plano de monitoramento pós-comercialização que
tenha como objetivo rastrear impactos ambientais e sobre a saúde decorrentes do
uso de transgênicos.
Para forçar a decisão sobre a liberação das
variedades de milho da Monsanto e da Syngenta na reunião de julho, alguns
membros usaram o artifício de pedir vista do processo, o que os força a
apresentar um parecer na próxima reunião.
Ainda na reunião encerrada
ontem em Brasília, a CTNBio aprovou regras de isolamento de experimentos com
eucalipto transgênico. Ao contrário do que vários jornais noticiaram, não houve
autorização para experimentos. Apenas foram aprovadas essas regras, que dizem
que os experimentos deverão ser isolados de um raio de 1 km de plantios de
eucalipto para produção de sementes ou quando houver risco de cruzamento e de 3
km de apiários, desde que instalados antes do experimento.
A reunião
contou com uma palestra do presidente da Confederação Brasileira de Apicultura,
que cobrou cautela da Comissão e falou sobre os prejuízos que os apicultores já
tiveram com exportação de mel orgânico, que foi rejeitada por conter traço de
soja transgênica.
Suas preocupações pouco interferiram sobre o andamento
da discussão, que tendia a reduzir a área de isolamento conforme a proposta
feita por Giancarlo Pasquali, farmacêutico indicado para a CTNBio pelo ministro
da Ciência e Tecnologia como “especialista em meio ambiente”.
O
pesquisador é ligado ao projeto Genolyptus, sobre o genoma do eucalipto, que é
financiado pelo MCT e por 12 grandes empresas do setor, como Aracruz,
Votorantin, Klabin, International Paper e Veracel. Terminada a reunião,
representantes de empresas de celulose presentes no local cumprimentaram
alegremente Pasquali.
A liminar que, se deferida, suspenderá as
liberações de milho transgênico e também os efeitos da liberação do milho da
Bayer, deve ser analisada pela juíza na próxima semana.
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Neste
número:
1. CTNBio inicia debate sobre algodão transgênico
2. Novas
análises evidenciam riscos à saúde de milho da Monsanto
3. Três estados
americanos pretendem restringir lavouras farmacêuticas
4. Fiscais vêem se há
soja transgênica nas indústrias alimentícias do Paraná
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são
solução para a agricultura
O pão da
vida
Dicas de Fonte de
Informação
Entrevista com Lia Giraldo, ex-membro da CTNBio,
à Radioagência NP em 21/06/2007.
“A CTNBio é composta de pessoas
indicadas, que não têm um vínculo específico com a questão da biossegurança. A
maioria são pessoas interessadas no desenvolvimento tecnológico. A estrutura da
CTNBio e sua composição não pode atender aquilo que a própria lei define como
missão de uma comissão de biossegurança. Os conflitos de interesse são evidentes
nessa comissão e a comissão resiste o tempo todo em assinar declarações de
interesse e em ter o Ministério Público presente para acompanhar as
discussões.”
http://www.radioagencianp.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2479&Itemid=43font
para
ouvir, clique em (5´50´´ / 1,33 Mb)
http://www.radioagencianp.com.br/images/stories/notplan/mp3/2007/junho/200607debatectnbio.mp3
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1.
CTNBio inicia debate sobre algodão transgênico
Os integrantes da
Comissão Técnica nacional de Biossegurança (CTNBio) iniciaram o debate sobre o
algodão transgênico. O debate deverá ser retomado na audiência pública a ser
realizada no início de agosto, de acordo com informações divulgadas pelo
Ministério da Ciência e Tecnologia.
Fonte: Agência Estado,
21/06/2007.
N.E.:Assim como fez no caso do milho, a CTNBio quer
discutir diferentes pedidos de liberação de algodão ao mesmo tempo, de forma que
nenhum é tratado em profundidade. No CD com os materiais referentes à audiência
pública distribuído aos membros, a CTNBio não incluiu a maioria das exposições e
textos críticos.
2. Novas análises evidenciam
riscos à saúde de milho da Monsanto
O milho transgênico NK603, da
Monsanto, teve a importação para uso em alimentos para consumo humano e animal
aprovada na Europa em 2004.
Resultados de uma nova análise de dados da
Monsanto, provenientes de testes conduzidos pelo Instituto Francês de Pesquisa
Científica (CRIIGEN), mostraram que ratos que foram alimentados com o milho
transgênico apresentaram diferenças no tamanho de seus rins, cérebro, coração e
fígado, assim como significativas diferenças de peso comparando-se com ratos
alimentados com milho convencional.
Quase 70 diferenças estatisticamente
significativas foram observadas e relatadas - 12 para parâmetros hematológicos,
18 para parâmetros de química clínica, 9 para parâmetros de química da urina, 6
para peso de órgãos (cérebro, coração e fígado), 14 para peso corporal e
mudanças de peso corporal, e 8 para consumo de alimentos. Estes resultados podem
indicar sinais de toxicidade, mas testes mais aprofundados ainda precisam ser
conduzidos para confirmar esta tese.
Este é o segundo caso deste tipo
envolvendo milhos transgênicos produzidos pela Monsanto. O primeiro, conhecido
como MON863, foi objeto de uma revisão científica publicada em março de 2007,
que revelou sinais de toxicidade em fígado e rins de ratos alimentados com este
milho por um período de 3 meses [conforme divulgado no Boletim 336].
A íntegra do estudo sobre o
milho NK603 pode ser encontrada em inglês no endereço
http://biosafety-info.net/article.php?aid=467
Fonte: Third World Network Biosafety Information Service
www.biosafety-info.net e www.twnside.org.sg
N.E.: Este é mais
um caso que evidencia a precariedade das análises que fundamentam a liberação de
alimentos transgênicos na maioria dos países - inclusive na Europa. É também
mais um alerta sobre os riscos das autorizações comerciais para produção e
consumo de diversas variedades de milho transgênico que a CTNBio, de forma
irresponsável, tem se esforçado para levar adiante.
3. Três estados americanos pretendem restringir lavouras
farmacêuticas
Três estados americanos estão analisando projetos de
lei para restringir o cultivo de plantas transgênicas modificadas para produzir
ingredientes farmacêuticos e industriais.
O projeto de lei da Califórnia
propõe banir as lavouras farmacêuticas a céu aberto; a proposta de Oregon, que
deverá ser convertida em lei em breve, irá aumentar o poder de fiscalização do
estado e autorizará a cobrança de taxas; e o projeto do Havaí propõe proibir as
lavouras farmacêuticas de cultivos que também sejam utilizadas para a
alimentação de humanos ou animais, além de proibir experimentos a céu aberto com
estas lavouras e criar um sistema de rastreamento para controlá-las.
A
ONG americana Union of Concerned Scientists (UCS) desenvolve uma campanha para
banir a produção a céu aberto de lavouras farmacêuticas. Você pode saber mais
sobre o assunto em www.ProtectOurFood.org.
Fonte: FEED Food &
Environment Electronic Digest -June 2007.
http://www.ucsusa.org/food_and_environment/feed/feed-june-2007.html#2
4. Fiscais vêem se há soja transgênica nas
indústrias alimentícias do Paraná
Sanitaristas da Secretaria de
Saúde e fiscais da Secretaria de Agricultura estão coletando amostras de grãos
de soja recebidos pelas indústrias alimentícias do Paraná para identificar a
utilização ou não de transgênicos no processamento de produtos para a
alimentação humana e animal.
O trabalho conta com o suporte do Lacen
(Laboratório Central do Estado), que está encaminhando os resultados positivos
para o INCQS (Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde), na Fiocruz,
no Rio de Janeiro, informa Álvaro Rychuv, coordenador do GET - Grupo Especial
dos Transgênicos do Governo do Estado. (...)
Fonte: Agência
Estadual de Noticias-PR, 21/06/2007.
Sistemas
agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a
agricultura
O pão da
vida
Procurando melhorar o sabor e o valor nutricional de seus
pães, um grupo de “padeiros camponeses” franceses está buscando variedades
antigas de trigo, muitas das quais não têm sido plantadas por mais de um século.
Realizando experimentos com estas variedades, eles estão descobrindo que algumas
apresentam vantagens inesperadas, como provocar taxas muito menores de
intolerância ao glúten entre consumidores do que os pães
industrializados.
Em diferentes partes da França pequenos grupos de
agricultores, principalmente orgânicos, continuam a produzir pães bons e
nutritivos, apesar da crescente dominação da panificação industrial.
Por
várias décadas, o trigo tem sido geneticamente melhorado pelas empresas
sementeiras para responder às necessidades dos grandes produtores de trigo e das
grandes panificações industriais, que não são as mesmas dos agricultores
orgânicos e padeiros artesanais.
Foi por este motivo que padeiros
camponeses, inicialmente de forma isolada, começaram a buscar as variedades
antigas de trigo. Não foi fácil, pois estas variedades vinham sendo
negligenciadas por mais de meio século. Os padeiros camponeses tiveram que
buscar junto a agricultores que conservaram as variedades antigas e também em
bancos de sementes do INRA (Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola da
França).
Alguns agricultores apenas multiplicaram as variedades obtidas,
enquanto outros, mais ambiciosos, começaram a melhorar as variedades antigas
para que elas se adaptassem a diferentes regiões, climas, sistemas de manejo, e
também para que servissem à produção artesanal de pão.
A partir da
articulação de iniciativas neste campo foram criadas novas redes de intercâmbio
de sementes entre padeiros agricultores de várias partes da França. Entretanto,
segundo a legislação francesa atual, estas trocas de sementes entre agricultores
são ilegais. Muitas organizações européias têm lutado junto à Comissão Européia
pela criação de um sistema de registro paralelo para as chamadas “sementes de
conservação”, que possa flexibilizar as rígidas normas de registro que ameaçam a
biodiversidade de plantas cultivadas. Mas como o lobby das indústrias
sementeiras é muito forte, tem sido difícil alcançar um consenso neste sentido e
este trabalho tem sido sistematicamente adiado.
A experiência francesa
ainda é de pequena escala. No total, existem cerca de 100 padeiros camponeses,
trabalhando de diferentes maneiras com variedades tradicionais de trigo. A maior
parte deles possui seu próprio moinho, o que os torna capazes de vender tanto
farinha, como pão. Mas na Inglaterra alguns moinhos tradicionais começaram a
comprar as variedades tradicionais de trigo, o que significa que padeiros mais
pobres, que não têm seu próprio moinho, estão podendo começar a cultivar as
variedades antigas também.
Baseado no texto “Bread of Life”, de
Hélène Zaharia:
http://www.grain.org/seedling/?id=470
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Campanha
Por um Brasil Livre de Transgênicos
Este Boletim é produzido pela
AS-PTA Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa e é de livre
reprodução e circulação, desde que citada a AS-PTA como fonte.
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