Boletim 356 - 10 de agosto de 2007
A sociedade italiana se prepara para uma grande mobilização por um país livre de transgênicos. Entre os dias 15 de setembro e 15 de novembro, mais de mil eventos serão realizados por todo o território italiano debatendo o futuro da alimentação no país.
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POR UM BRASIL
LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Número 356 - 10 de agosto de 2007
Car@s
Amig@s,
A sociedade italiana se prepara para uma grande mobilização por
um país livre de transgênicos. Entre os dias 15 de setembro e 15 de novembro,
mais de mil eventos serão realizados por todo o território italiano debatendo o
futuro da alimentação no país.
Nesses dois meses de debates, eventos,
feiras de bebidas e alimentos, shows e atividades culturais, a Coalizão
“ITALIAEUROPA - LIBERI DA OGM” [livre de transgênicos], que está
convocando essa grande campanha, está organizando também uma consulta nacional
sobre o tema e espera recolher três milhões de assinaturas.
A pergunta é:
“Você quer que o setor agroalimentar, os alimentos e sua autenticidade estejam
no centro do desenvolvimento, que inclui pessoas e regiões, saúde e qualidade, e
que seja sustentável e inovador, baseado na biodiversidade e livre de
transgênicos?”.
Ao dar destaque ao setor agroalimentar, aos alimentos e à
sua autenticidade, a Coalizão e suas redes locais de apoiadores procuram evitar
que a Itália seja prejudicada por pressões internacionais e possa contribuir de
forma original para uma globalização diversificada e democrática. O mesmo vale
para a União Européia como um todo.
A partir dessa perspectiva, para a
Coalizão ITALIAEUROPA os transgênicos são incompatíveis e inaceitáveis.
Além de serem ineficientes do ponto de vista econômico, os transgênicos podem
padronizar os produtos nacionais e desprovê-los de sua excepcional
qualidade.
O que dirão os setores conservadores sempre prontos para
desqualificar qualquer tipo de mobilização social, tentando fazer crer que a
oposição dos europeus aos transgênicos não passa de uma conspiração das
multinacionais européias de agrotóxicos?
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Neste
número:
1. Ambientalistas denunciam pressão sobre Anvisa
2. Nestlé
perde briga contra rotulagem em Santa Catarina
3. Zambia recusa
transgênicos
4. Annan descarta o uso de OGMs na guerra contra a fome na
África
5. Campanha Sem “Milho não há País” se intensifica no
México
Sistemas agroecológicos mostram que
transgênicos não são solução para a agricultura
Revitalização
dos solos em processos de transição agroecológica no sul do Brasil
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1.
Ambientalistas denunciam pressão sobre Anvisa
Ambientalistas de
todo o país denunciam que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária vem sendo
pressionada pela Casa Civil e pela bancada ruralista do Congresso Nacional. O
motivo é a consulta pública que a Anvisa organizou e que deve criar normas para
a liberação comercial de alimentos transgênicos no país. A Casa Civil e a
bancada ruralista são contra a consulta à população.
O documento da
Agência se chama “Consulta Pública 63”. As pessoas podem opinar dizendo se
concordam ou não com os pontos a serem avaliados. Elas também podem sugerir
mudanças no relatório. Qualquer pessoa pode votar na página de internet da
Anvisa, pelo endereço www.anvisa.gov.br. O prazo para envio das
contribuições é 10 de Setembro.
Chasque Agência de notícias,
08/08/2007.
N.E.: Confira em www.aspta.org.br a nota de entidades e
parlamentares divulgada em apoio à iniciativa da Anvisa.
2. Nestlé perde briga contra rotulagem em Santa
Catarina
O Estado de Santa Catarina teve sucesso na manutenção da
rotulagem de produtos que contenham transgênicos em ação movida pela
Nestlé.
Em 2005, a Nestlé entrou com processo contra o Estado de Santa
Catarina, para rotular seus produtos que contivessem transgênicos de acordo com
a lei federal, que estipula limites de presença de transgênicos (1%).
A
lei 12.128 exige rotulagem plena, o que significa que os produtos devem ser
rotulados independente da quantidade de transgênicos. Caso a Nestlé persista,
caberá apenas recurso em Brasília, no STJ ou no Supremo.
Fonte: www.tj.sc.gov.br
3.
Zambia recusa transgênicos
O governo da Zâmbia rejeitou cobrança
feita por setores ligados à promoção dos transgênicos para que o país os
adotasse como forma de reduzir a pobreza e a fome. Entre os peticionários estava
o ISAAA, entidade ligada às multinacionais de biotecnologia que produz
anualmente estatísticas globais sobre o uso de transgênicos.
Declarou à
SciDev.Net o ministro da Agricultura, Ben Kapita, que “sempre dissemos que nosso
país não será usado como local de dumping para produtos transgênicos”.
No
início deste ano (3 de abril), o parlamento de Zâmbia aprovou uma lei de
biossegurança que previne a entrada de transgênicos no país.
A partir
de: SciDev.Net Weekly Update: 30 July - 6 August 2007.
4. Annan descarta o uso de OGMs na guerra contra a fome na
África
O ex-secretário general das Nações Unidas Kofi Annan
descarta o uso de transgênicos na luta contra a insegurança alimentar e a
pobreza na África.
“Não incorporaremos os transgênicos nos programas da
Aliança para a Revolução Verde na África (AGRA). Trabalharemos com agricultores
que usam sementes tradicionais que eles conhecem” disse Annan, que preside a
AGRA, criada em 2006 com aportes de 150 milhões de dólares das Fundações Bill
& Melinda Gates e Rockefeller.
“Milhões de africanos são alimentados
através de ajuda, isto não é sustentável. Temos os meios para fazer a África
auto-sustentável”. Annan disse que a produção alimentar africana poderia
duplicar na próxima década com o melhoramento das sementes o aumento do acesso a
insumos como fertilizantes e agrotóxicos.
A partir de: Business Daily,
Kenya, 01/07/2007.
http://www.biodiversidadla.org/content/view/full/34366
5. Campanha ‘Sem Milho não há País’ se intensifica no
México
Durante a campanha ‘Sem Milho não há País’, ativistas,
ambientalistas e agricultores do México se mobilizam para chamar a atenção para
a problemática dos alimentos geneticamente modificados. No caso do milho,
principal alimento na nação mexicana, as atividades pedem um fim à exploração de
empresas como a Monsanto e defendem a soberania alimentar.
Adital
entrevistou Aleira Lara, coordenadora da campanha Agricultura
Sustentável/Transgênicos, do Greenpeace, sobre o tema. Em trecho ressalta: "A
propaganda da Monsanto sempre realça as conquistas e o crescimento de sua
proposta tecnológica, mas tais cifras e afirmações não são comprováveis, pois
são privadas e não estão sujeitas as averiguações públicas",
afirmou.
Leia a íntegra da entrevista com Aleira Lara para Adital
em http://www.unisinos.br/ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=8513
Fonte:
IHU, 25/07/2007.
Sistemas agroecológicos mostram
que transgênicos não são solução para a
agricultura
Revitalização dos solos em processos de transição
agroecológica no sul do Brasil
Por Edinei de Almeida, Fábio Júnior
Pereira da Silva e Ricardo Ralisch
A realidade em que vive e produz a
agricultura familiar no sul do Brasil reproduz em largos
traços situações
vivenciadas pelo campesinato em outras regiões do mundo. A prática do pousio e
queima da vegetação nativa já não oferece resposta para a necessidade
de
recomposição da fertilidade dos solos.
Esse método era adequado
quando a maior disponibilidade de terra permitia que uma área fosse cultivada
enquanto a outra descansava até que recuperasse a fertilidade.
Hoje,
porém, a oferta de terra diminuiu consideravelmente, em razão dos processos de
partilha por herança das propriedades rurais e a conseqüente intensificação do
uso das
terras agrícolas.
O método de regeneração da fertilidade
propugnado com a Revolução Verde é baseado no emprego de adubos minerais de alta
solubilidade e revela-se igualmente inviável para a ampla maioria das famílias
agricultoras em função de seu alto custo e dos impactos ambientais negativos
que gera.
Embora muito distintos entre si, tanto o método tradicional de
pousio e queima quanto o moderno se fundamentam em um mesmo paradigma de gestão
da fertilidade dos ecossistemas agrícolas: o aporte aos solos de nutrientes em
formas mineralizadas. Nessas condições, os nutrientes são facilmente perdidos do
sistema por lixiviação e/ou erosão ou ainda são fixados nos minerais do solo,
ficando indisponíveis para as plantas cultivadas.
Dessa forma, ambas as
práticas dependem da contínua reposição de nutrientes para que os solos não
percam suas capacidades produtivas com a seqüência de cultivos.
Já no
caso dos manejos ecológicos dos agroecossistemas, um dos principais objetivos é
justamente assegurar a manutenção a longo prazo da fertilidade dos solos sem a
necessidade de aportes contínuos de insumos externos. O enfoque agroecológico
supera o paradigma da mineralização dos nutrientes, dando lugar a processos
biológicos que garantem a contínua reciclagem dos mesmos em formas
orgânicas.
Leia a íntegra do artigo dessa experiência da AS-PTA no
centro-sul do Paraná e no Planalto Norte de Santa Catarina em http://agriculturas.leisa.info
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Campanha
Por um Brasil Livre de Transgênicos
Este Boletim é produzido pela
AS-PTA Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa e é de livre
reprodução e circulação, desde que citada a AS-PTA como fonte.
Para
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