Boletim 361 - 14 de setembro de 2007
O projeto de lei propondo a liberação das sementes terminator foi derrotado esta semana na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados. Antes de chegar ao plenário ele ainda deve passar pelas comissões de Agricultura e de Constituição, Justiça e Cidadania. Se derrotado em mais uma dessas comissões, o projeto será arquivado. Caso passe pelas duas, vai a plenário, mas na rabeira de uma longa lista de projetos não prioritários.
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POR UM BRASIL LIVRE DE
TRANSGÊNICOS
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Número 361 - 14 de setembro de
2007
Car@s Amig@s,
O projeto de lei propondo a
liberação das sementes terminator foi derrotado esta semana na Comissão de Meio
Ambiente da Câmara dos Deputados. Antes de chegar ao plenário ele ainda deve
passar pelas comissões de Agricultura e de Constituição, Justiça e Cidadania. Se
derrotado em mais uma dessas comissões, o projeto será arquivado. Caso passe
pelas duas, vai a plenário, mas na rabeira de uma longa lista de projetos não
prioritários.
O relator do projeto, deputado Gervásio Silva (DEM/Santa
Catarina), assim como seu proponente, deputado Eduardo Sciarra (DEM/Paraná), e
outros ruralistas a favor das sementes estéreis, alegam o “desenvolvimento
científico e tecnológico da agricultura nacional”, buscando, na verdade, aprovar
uma tecnologia de impacto elevadíssimo e irreversível para facilitar a vida das
empresas que comercializam transgênicos. Assim como outros transgênicos que
estão fora de controle, esses também contaminariam plantações e sementes
não-transgênicas, espalhando esterilidade para elas.
Controlar cada
produtor que planta transgênicos para impedir que use as sementes que ele
próprio colheu é um trabalho custoso e exige grande esforço de monitoramento das
empresas da área, como a Monsanto. Para fazer valer suas patentes sobre as
sementes, muito mais eficaz do ponto de vista empresa é garantir, pela via
biológica, que a semente colhida não germinará e que o produtor comprará
sementes todos os anos. É disso que trata essa
tecnologia.
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CTNBio faz mal ao Brasil, mas bem à
Monsanto
A primeira parte da frase acima estava estampada em cartazes
que manifestantes exibiram na última reunião da CTNBio, em que foi votada uma
regra de coexistência entre lavouras orgânicas, convencionais e transgênicas,
que fará com que em pouco tempo todo o milho brasileiro esteja contaminado pelo
transgênico.
A segunda parte da frase vem do jornal Valor Econômico do
último dia 6, em que a jornalista Cibelle Bouças inicia sua reportagem afirmando
que “O trabalho empreendido pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança
(CTNBio) para agilizar os processos de aprovação de transgênicos no país levaram
a multinacional Monsanto a reforçar investimentos no país”.
Na mesma
semana, vários jornais noticiaram que a mesma Monsanto comprara por R$ 200
milhões a mato-grossense Agromen, que trabalha principalmente no mercado de
sementes de milho. As marcas antes operadas pela Agromem também passarão para o
controle da Monsanto. Assim, concentra-se mais ainda o mercado de sementes, que
acaba deixando o produtor com cada vez menos opções.
Ainda na mesma
semana, a imprensa também destacou o aumento das exportações de milho para
países europeus, que mais que dobrou. Para a CONAB (Companhia Nacional de
Abastecimento), do Ministério da Agricultura, o fato de o milho brasileiro não
ser transgênico contribuiu para esses resultados.
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Neste
número:
1. A ameaça ao algodão agroecológico
2. Multinacional fará
testes com transgênicos em Bauru
3. Pesquisa com transgênicos em
Bauru preocupa Semma
Sistemas
agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a
agricultura
Um exemplo de Fundo Rotativo
Solidário
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1.
A ameaça ao algodão agroecológico
A Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança (CTNBio) anda às voltas com a liberação dos processos de
plantação, comercialização e consumo de cultivares transgênicos no Brasil. A
preocupação dos que defendem leis restritivas recai agora sobre a ameaça dos
transgênicos ao algodão agroecológico e orgânico, de modelo de produção fincado
na agricultura familiar.
Segundo Pedro Jorge Lima, vinculado à ONG
cearense Centro de Pesquisa e Assessoria (Esplar), essa é uma ameaça real. O
Esplar iniciou há 15 anos uma experiência de produção de algodão agroecológico e
orgânico no município de Tauá, apoiando e assessorando a Associação de
Desenvolvimento Comunitário (Adec). (...)
A presença de lavouras de
algodões transgênicos em locais onde vem crescendo a produção
agroecológica/orgânica é um risco real e preocupante", pelo risco de
contaminação. Pedro Jorge ainda vai mais longe, ao identificar que, com uma
eventual implantação de lavouras transgênicas, os produtores/as nordestinos de
algodão agroecológico/orgânico verão "abortada essa importante retomada da
atividade algodoeira, na região, agora em bases sustentáveis".
O POVO
- CE, 08/09/2007.
http://www.opovo.com.br/opovo/colunas/ecologia/726825.html
2. Multinacional fará testes com transgênicos em Bauru
Empresa do Grupo Votorantim vai trabalhar com laranjas
modificadas
Uma fazenda localizada em Bauru será palco de pesquisas
com laranjas e outras plantas cítricas geneticamente modificadas. A autorização
da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) para as atividades da
chamada Unidade Operativa de Bauru - Fazenda Ventura 2, da empresa Alellyx
Applied Genomics, foi publicada ontem no Diário Oficial da União.
Segundo
o BOM DIA apurou, a companhia de biotecnologia, que conta com investimentos do
Grupo Votorantim (leia mais ao lado), tem como objetivo testar genes para criar
resistência, em condições de campo, ao vírus da leprose dos citros, ao greening
e outras pragas que atingem os laranjais.
O BOM DIA apurou ainda que a
Alellyx prevê mais experimentos na região: está em análise na CTNBio a liberação
de pesquisas com eucaliptos na Fazenda Araribá, em Avaí (36 quilômetros de
Bauru). No caso dos eucaliptos, a finalidade é testar plantas geneticamente
modificadas em relação aos teores de celulose e lignina (resíduos). O foco é
melhorar a produtividade: aumentar o teor de celulose e diminuir o de
lignina.
Na área de pesquisa em campo com transgênicos, a chamada
liberação planejada no meio ambiente, a Alellyx tem um total de 23 processos em
análise ou já aprovados pela CTNBio. A maioria refere-se a estudos para combater
vírus da cana-de-açúcar ou aumentar o nível de sacarose da cultura, que são
desenvolvidos em locais como Conchal (SP), Mandaguaçu (PR) e Maceió (AL). As
pesquisas com eucaliptos estão localizadas no Estado de São Paulo - Altinópolis,
Luiz Antônio, Guararema e Taquarivaí. De acordo com os registros encontrados no
site da CTNBio, as unidades de Bauru e Avaí serão as primeiras da Alellyx na
região.
A empresa foi contatada por meio de sua assessoria de imprensa,
mas informou que não poderia responder ainda ontem as questões enviadas por
e-mail pelo BOM DIA.
O parecer técnico da CTNBio destaca que, no caso da
Fazenda Ventura 2, em Bauru, nenhuma unidade de conservação de uso restrito foi
encontrada em um raio de 10 mil metros dos limites da propriedade. O documento
aponta ainda que a unidade de Bauru dispõe de uma equipe treinada para
atendimento de primeiros socorros e ambulância e que, se houver necessidade de
encaminhamento médico, os funcionários serão levados ao Centro de Saúde de
Reginópolis (45 quilômetros da fazenda) ou à Santa Casa de Pirajuí (60
quilômetros do local).
Bom Dia Bauru, 24/08/2007.
http://www.bomdiabauru.com.br/index.asp?jbd=3&id=241&mat=89755
3. Pesquisa com transgênicos em Bauru preocupa
Semma
A notícia de que a Alellyx Applied Genomics irá realizar
pesquisas com laranjas e outras plantas cítricas transgênicas em Bauru,
publicada ontem pelo BOM DIA, foi recebida com preocupação pelo secretário da
Semma (Secretaria Municipal do Meio Ambiente) e membro da Comissão Nacional de
Biodiversidade, Rodrigo Agostinho.
O temor de Rodrigo deve-se ao fato de
que a Fazenda Ventura 2 esteja localizada em área de preservação do rio Batalha:
“Pedimos à CTNBio [Comissão Técnica Nacional de Biossegurança] detalhes sobre o
projeto”, afirma.
A Alellyx alega que a lei federal 11.460/07,
que regulamenta o plantio de organismos geneticamente modificados, proíbe a
utilização de áreas de conservação de uso restrito (como parques ecológicos e
comunidades indígenas), mas autoriza as atividades em áreas de preservação
ambiental. “Como a área de preservação ambiental do rio Batalha ainda não foi
regulamentada e, portanto, seus limites são desconhecidos, a Fazenda Ventura 2
pode estar ou não nessa área, mas mesmo que esteja, a Alellyx segue todos os
padrões de biossegurança estabelecidos pela CTNBio”, diz Ana Cláudia Rasera,
sócia e diretora científica da empresa.
A Alellyx aguarda ainda
autorização para utilizar a Fazenda Araribá, em Avaí (36 km de Bauru), para
pesquisas com eucaliptos. Os projetos a serem desenvolvidos em Bauru e Avaí sãos
os primeiros da Alellyx na região.
Bom Dia Bauru,
25/08/2007.
http://www.bomdiabauru.com.br/index.asp?jbd=3&id=241&mat=89907
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são
solução para a agricultura
Um exemplo de Fundo Rotativo
Solidário, por José Camelo da Rocha (AS-PTA) e José Waldir de Sousa Costa
(PATAC)
A falta de água para beber era um problema comum para as mais de
150 famílias da comunidade de Gameleira, no município de Massaranduba, Paraíba.
A construção de cisternas de placas destinadas à captação de água das chuvas
para uso doméstico foi recebida como uma solução imediata, eficiente e ao
alcance da iniciativa das famílias. Num primeiro momento, chegaram recursos
externos para apoiar a construção de dez cisternas. Mas como atender a todas as
famílias com tão pouco recurso? Foi inspirado em outras tantas comunidades
organizadas pela ASA-PB que o povo de Gameleira criou um primeiro grupo de Fundo
Rotativo Solidário, com a participação inicial de 30 das 91 famílias que
necessitavam do benefício.
Nessa época, decidiram em conjunto que todas
as famílias daquele grupo pagariam mensalmente R$ 20,00 e foi dessa forma que
todos os meses a comunidade conseguia arrecadar o montante de R$ 600,00 - o
valor integral de uma cisterna. Passaram também a sortear mensalmente uma nova
cisterna entre o grupo. Ao final de 20 meses, foram construídas 20 unidades,
contemplando a todos os participantes desse primeiro grupo. O sucesso da
experiência logo mobilizou outras famílias da comunidade e mais dois grupos
foram formados a partir do repasse feito pelo FRS inicial. Ou seja, o recurso
das dez primeiras foi capaz de gerar dois novos grupos. Mais tarde, Gameleira
ainda recebeu o apoio para outras 25 cisternas do Programa de Formação e
Mobilização Social para Convivência com o Semi-Árido ( ou P1MC), da ASA-Brasil,
financiado pelo Governo Federal através do Ministério do Desenvolvimento Social
(MDS).
Com a compreensão de que os projetos sociais devem cumprir um
papel de fortalecimento das organizações locais, das dinâmicas geradoras de
desenvolvimento comunitário, econômico e social, as famílias que receberam as
cisternas através dos recursos externos não se diferenciaram das demais e
continuaram contribuindo para o FRS. Foi assim que, em pouco tempo, conseguiram
atender a todas as famílias e mais: 11 delas já conquistaram sua segunda
cisterna.
Em quatro anos, a comunidade que recebeu recursos para 35,
chegou a construir mais 67 cisternas com arrecadação local, totalizando 102
unidades. Ou seja, o recurso inicial quase triplicou. Há que se considerar ainda
o aumento da oferta de água de beber em 1.632 m3. Ao deixar de comprar
carro-pipa para fazer o abastecimento local, o povo de Gameleira também deixou
de gastar aproximadamente R$ 14.000,00/ano. Esses recursos, em vez de serem
apropriados por empresas urbanas fornecedoras de água, puderam ser mantidos em
circulação na comunidade para atendimento de outras
necessidades.
Atualmente, o FRS permanece em Gameleira estimulando outras
iniciativas e reforçando os processos de organização e de multiplicação dos
laços de solidariedade. Com a água perto de casa, as famílias despertaram para
um novo modo de se relacionar com a natureza para melhoria do sistema produtivo.
A diversificação da produção, principalmente ao redor de casa, com plantas
frutíferas, medicinais, forrageiras e aprimoramento dos sistemas de pequena
criação, vem contribuindo sobremaneira para a segurança alimentar das famílias.
Observa-se, ainda, que o Fundo Rotativo vem valorizando e financiando outras
iniciativas na comunidade, como a melhoria da infra-estrutura hídrica para
produção, a construção de residências e igrejas, o apoio funeral etc.
Aos
resultados econômicos, acrescentam-se a elevação da auto-estima, a conquista da
cidadania, a produção de conhecimentos que são incorporados pelas famílias no
processo de discussão, a proposição de idéias e a gestão compartilhada dos
recursos. A exemplo da experiência do Fundo Rotativo de Gameleira, muitos grupos
comunitários, hoje espalhados por diversos municípios da Paraíba, não se
satisfazem só com a conquista da água para beber, mas passam a vislumbrar a
construção de uma nova relação em sociedade.
Revista Agriculturas
Experiências em Agroecologia. Volume 2., número 3.
Leia este aritgo na
íntegra em http://agriculturas.leisa.info/index.php?url=magazine-details.tpl&p[_id]=77375
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