Boletim 425 - 09 de janeiro de 2009
Estudo inédito demonstra danos do herbicida glifosato a células humanas :: Rotulagem funciona, mas pode acabar
Número 425 - 09 de dezembro de 2009
Car@s Amig@s,
Estudo inédito demonstra danos do herbicida glifosato a células humanas. Todas as células de cordão umbilical expostas a quatro diferentes formulações do Roundup em doses 100 vezes menores que as usadas nas plantações morreram em até 24 horas. O herbicida foi escolhido pelos pesquisadores franceses do CRIIGEN por ser o mais usado no mundo, especialmente em plantas transgênicas como a soja.
Para o vice-presidente da CTNBio Edílson Paiva, contudo, “A vantagem na segurança alimentar [do herbicida glifosato] é que os humanos poderiam até beber e não morrer porque não temos a via metabólica das plantas” (Valor Econômico, 23/04/2007). O produto campeão de vendas da Monsanto está 70% mais caro nesta safra.
A pesquisa de Nora Benachour e Gilles-Eric Séralini, publicada na edição de dezembro da revista Chemical Research in Toxicology, destaca que a presença de resíduos do produto nos níveis testados é autorizada nas rações e alimentos transgênicos. Aqui no Brasil, a aprovação da soja transgênica foi acompanhada de um aumento de 50 vezes no nível permitido de veneno na soja.
O estudo também revela que a mistura dos componentes presentes no produto comercial amplificam a ação do glifosato, o ingrediente ativo do agrotóxico. Um dos metabólitos gerados na digestão do glifosato, o AMPA, pode ser ainda mais tóxico, dado que confirma estudos anteriores. Para os pesquisadores, as autorizações para uso do produto devem ser revisadas, dado que os efeitos tóxicos do herbicida dependem e são potencializados por outros componentes presentes no mercado. O estudo aponta claramente que os ingredientes adjuvantes presentes nas diferentes fórmulas do herbicida Roundup não são inertes.
Em decorrência disso, como lembra reportagem da France-Presse (07/01), em janeiro de 2007 a Monsanto foi condenada por um tribunal francês em Lyon por propaganda enganosa a respeito do Roundup. O mesmo já acontecera nos Estados Unidos. Em virtude das condenações, a Monsanto foi obrigada a retirar a palavra “biodegradável” das embalagens do produto.
Neste número:
1. Rotulagem está funcionando, mas pode acabar
2. Embrapa prioriza transgênicos para 2009
3. Biotecsur
4. Ibama embarga soja transgênica no entorno de Parque em Goiás
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Olericultura orgânica: receita que deu certo na Serra da Ibiapaba
A conquista de Caiboaté -- a história da luta pela terra em São Gabriel (RS) contada e cantada
1. Rotulagem está funcionando, mas pode acabar
Dias após o Idec divulgar resultados de testes em alimentos mostrando que o decreto de rotulagem vem sendo cumprido e que a segregação da matéria-prima já é realidade no setor, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou relatório favorável ao projeto de lei que visa restringir as regras para a rotulagem de alimentos contendo transgênicos. O PL 4.148/08 de autoria de Luis Carlos Heinze (PP/RS) propõe acabar com a rotulagem baseada na rastreabilidade da cadeia produtiva, elimina o símbolo que atualmente é obrigatório nos rótulos de alimentos contendo transgênicos (um T dentro de um triângulo amarelo) e elimina a rotulagem de rações, ente outros. Em sessão do dia 18/12 a CCJ aprovou o relatório do deputado Ricardo Barros (PP/PR) avaliando que a proposta de seu colega de partido “visa tão somente cristalizar em lei normas de rotulagem de produtos com presença de OGM, de forma clara, simplificada e esclarecedora, seguindo em grande parte os parâmetros do Decreto n. 4.680/03”. O projeto deverá agora ser apreciado em plenário.
2. Embrapa prioriza transgênicos em 2009
No final de 2008 o presidente da Embrapa recebeu o presidente da Monsanto para firmar renovação pelo terceiro ano consecutivo do acordo de cooperação entre as duas instituições para a produção de soja transgênica resistente ao herbicida líder de vendas da multinacional. Para 2009, de acordo com reportagem do Canal Rural (06/01), a pesquisa com transgênicos estará entre as prioridades da Embrapa, que espera para o ano a aprovação comercial da soja transgênica que desenvolveu em conjunto com a Basf. A nova semente, desenhada para vender herbicidas da múlti alemã, é tida por muitos como a “soja transgênica brasileira”.
Além de investir na soja transgênica, segundo a matéria do Canal Rural, a Embrapa anuncia que os experimentos com feijão transgênico estão em fase final e dentro de alguns meses a empresa vai encaminhar à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) o pedido de liberação comercial desta variedade geneticamente modificada. As pesquisas com feijão resistente ao vírus do mosaico dourado tiveram início na empresa 14 anos atrás.
Além de modificar o feijoeiro comum, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia divulgou em seu site a informação de que desenvolveu nova técnica voltada para a transformação genética de feijão de corda, ou caupi (macassar). O objetivo é desenvolver plantas transgênicas resistentes a doenças, como os vírus. O método baseia-se na introdução direta de genes nos embriões maduros de feijão de corda.
3. Biotecsur
Cooperação entre Mercosul e União Européia vai garantir 3 milhões de euros para cinco projetos de desenvolvimento de biotecnologias na região. Serão contempladas as áreas aviária, bovina, florestal e de soja. Na área florestal, a cooperação visa o mapeamento genético no setor. Será formado um "instituto virtual" de acesso à biotecnologia na cadeia da soja. O programa, denominado "Biotecsur", é administrado pelos ministérios de Ciência argentino e brasileiro.
Fonte: Folha de São Paulo, 19/12/2008.
4. Ibama embarga soja transgênica no entorno de Parque em Goiás
A Superintendência do Ibama em Goiás realizou a Operação Emas III em propriedades rurais do entorno do Parque Nacional das Emas - PNE, no período de 09 a 18/12, com o objetivo de identificar o cultivo de organismos geneticamente modificados. Na operação foram vistoriadas 18 propriedades rurais pertencentes a 13 fazendeiros, totalizando R$ 954.326,80 em multas aplicadas e embargo de 1.590 hectares.
De acordo com normas técnicas da CTNBio, descritas no Decreto nº. 5950/06, de 31 de outubro de 2006, o plantio de soja geneticamente modificada tem que respeitar uma faixa de 500 metros ao longo dos limites da Unidade de Conservação.
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Olericultura orgânica: receita que deu certo na Serra da Ibiapaba
Em dois de fevereiro de 2001, 24 agricultores fundaram a Associação dos Produtores Orgânicos da Ibiapaba, a Apoi. São Benedito - cidade da Serra da Ibiapaba no Noroeste do Ceará - foi escolhida como sede, mas a Apoi reúne também os sonhos de agricultores vindos de outras cidades serranas: Carnaubal, Guaraciaba do Norte, Ibiapina, Ubajara, e também Ibiapaba.
O sonho é ousar. E aquele grupo de produtores resolveu investir em olericultura orgânica, abrangendo a produção de um grande número de espécies de plantas sem o uso de herbicidas, agrotóxicos ou resíduos químicos, preservando o ambiente.
A olericultura orgânica é uma atividade agroeconômica altamente intensiva. É preciso um bom investimento na área a ser trabalhada, tanto em termos físicos como econômicos. E a falta de condições financeiras dos agricultores foi a principal dificuldade enfrentada nos primeiros anos da Apoi. Para a Secretária Executiva da Apoi, Diana Pereira Gomes, porém, mais do que a falta de recursos financeiros, o problema principal foi o imediatismo de alguns produtores. “Muitos não compreendiam que os resultados econômicos não seriam imediatos, pois dependiam da recuperação do solo que é um processo gradual”, explica.
Do primeiro presidente - Antônio Alves Moreno - até a eleição, dois anos depois, do seu primeiro Conselho Diretor (estrutura que, segundo os sócios, é mais democrática), com João Costa Gomes como Diretor Coordenador, a Apoi passou por dificuldades. Mas manteve-se firme no propósito de fazer da olericultura orgânica uma fonte de geração de renda. A aposta deu certo. Passados sete anos, a Apoi é referência no Ceará com mais de 20 tipos de hortaliças e frutas produzidas. Entre elas, abobrinha, banana, batata-doce, berinjela, beterraba, brócolis, cebolinha, cenoura, chuchu, coentro, couve-flor, feijão verde, jerimum-de-leite, jiló, limão, macaxeira, maracujá, maxixe, milho verde, nabo comprido, nabo redondo, pepino, quiabo verde, rabanete, repolhos roxo e verde, rúcula, salsão, salsinha, tomate e vagem trepadeira.
A maior parte da produção é vendida para a rede de supermercados Pão de Açúcar em Fortaleza, Ceará, e para o Grupo Carvalho em Teresina, Piauí. Mas, a Associação também vende para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e para a Prefeitura Municipal de São Benedito, que utiliza os produtos na merenda escolar da Rede Municipal de Ensino. Cada produtor recebe pela produção que entrega, e 10% vão para as despesas administrativas da Associação.
Nessa caminhada, importantes parceiros também foram conquistados, como a Secretaria do Desenvolvimento Agrário, o Banco do Nordeste, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) e o Instituto Biodinâmico (IBD).
Com um trabalho de importância econômica e social - por demonstrar a viabilidade econômica das pequenas propriedades, junto com o respeito ao meio ambiente e à saúde dos trabalhadores rurais - a Apoi deixa seu reflexo na região da Ibiapaba. “Trabalhamos para atender os requisitos do desenvolvimento sustentável: viabilidade técnico-econômica, respeito ao meio ambiente e responsabilidade social.”, ressalta Diana.
Todo esse trabalho tem reconhecimento em nível estadual e fora do Ceará. O grupo recebe, com freqüência, estagiários de escolas agrotécnicas e universidades do Ceará e do Piauí, como também produtores de diversas regiões do estado, interessados em conhecer o modelo orgânico de produção. É ainda constante a participação da Associação para apresentar sua experiência em diversos fóruns ligados ao setor agropecuário. É o reconhecimento de um exemplo que deve ser seguido.
Olericultura orgânica, perseverança e trabalho coletivo: a receita que deu certo na Serra da Ibiapaba. In: Agrofloresta. Fortaleza: Fundação Cepema, ano II - Nº 2 - Setembro 2008. p. 12-13.
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Campanha Por um Brasil Livre de Transgênicos
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