Fórum pela Reforma Agrária encaminha carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva
05/09/2007 - Entidades que constituem o Fórum Nacional pela Reforma Agrária questionam a liberação do milho transgênico Liberty Link da Bayer, em carta encaminhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na carta, os movimentos afirmam que a liberação pode destruir a agricultura familiar camponesa do país.
05/09/2007
Excelentíssimo Senhor,
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Presidente da República do Brasil
O povo brasileiro concedeu ao Senhor o segundo mandato para que pudesse liderar as mudanças de que o Brasil necessita como a realização de uma reforma agrária ampla e massiva, associada a outras políticas públicas essenciais à implantação de um modelo de desenvolvimento rural sustentável, na sua dimensão social, econômica e ambiental, garantidor da efetivação dos direitos fundamentais dos homens e das mulheres do campo.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Presidente da República do Brasil
O povo brasileiro concedeu ao Senhor o segundo mandato para que pudesse liderar as mudanças de que o Brasil necessita como a realização de uma reforma agrária ampla e massiva, associada a outras políticas públicas essenciais à implantação de um modelo de desenvolvimento rural sustentável, na sua dimensão social, econômica e ambiental, garantidor da efetivação dos direitos fundamentais dos homens e das mulheres do campo.
No entanto, a cada dia que passa vemos essas mudanças mais distantes, em
razão da expansão avassaladora do agronegócio e das transnacionais da
agricultura, mediante a incorporação de extensas áreas à implantação de culturas
voltadas preferencialmente à geração de energia alternativa, em detrimento da
produção dos gêneros alimentícios de primeira necessidade, bem assim, através do
controle de toda a cadeia produtiva, desde o fornecimento das sementes até a
comercialização dos produtos agrícolas no mercado internacional, exercido por
essas empresas.
Nosso país não pode se submeter à força do poder econômico dessas
corporações. Não podemos aceitar que controlem nossas sementes. As liberações
irresponsáveis dos produtos transgênicos, sem critérios e sem estudos que
atestem sua compatibilidade com a saúde humana e animal, revelam que o Brasil
está renunciando à sua soberania e colocando em perigo sua biodiversidade e a
saúde de seu povo para beneficiar as grandes empresas transnacionais.
Na nossa visão a CTNBio está viciada, já que a maioria de seus membros está
comprometida com o desenvolvimento de transgênicos e não com a avaliação de seus
impactos. Além disso, vários integrantes da Comissão possuem conflitos de
interesse, pois fazem pesquisas e elaboram pareceres para as empresas que
dominam a transgenia.
A liberação comercial dos transgênicos é uma séria ameaça às sementes
crioulas e pode inviabilizar a continuidade da construção de um modelo
sustentável de agricultura baseado na agroecologia. Até o momento o governo não
apresentou proposta para lidar com esse problema e conter a contaminação de
nossas sementes pelos transgênicos. Primeiro foi a soja. Agora, essas empresas
querem dominar o mercado do milho.
Em maio, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) liberou os
milhos transgênicos da Bayer. Mas a Anvisa e o Ibama acreditam que a liberação
foi feita sem os devidos estudos para garantir que esses produtos não fazem mal
à saúde e ao meio ambiente. Em agosto, foi o vez da liberação comercial da
Monsanto, também sem critérios ou estudos.
Entre os principais riscos dos transgênicos estão as alergias alimentares e
a criação de resistência a antibióticos, sem falar na afetação do meio ambiente
e no comprometimento da reprodução das diferentes formas de vida. A Anvisa
acredita que os dados apresentados pelas empresas "são insatisfatórios e pouco
esclarecedores". O Ibama entende que o milho transgênico causará sérios e
irreversíveis prejuízos à nossa biodiversidade, porque contaminará as demais
espécies de milhos crioulos e convencionais, cultivadas milenarmente por
pequenos produtores.
Com o milho transgênico, Senhor Presidente, os consumidores, os produtores
e o Brasil perdem. Só as empresas transnacionais de biotecnologia ganham.
Por essa razão, nos dirigimos a Vossa Excelência para pedir que determine
ao Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) que suspenda as liberações
comerciais dos transgênicos, bem como para que o CNBS edite regras que assegurem
a coexistência de espécies transgênicas e não-transgênicas.
Estamos cansados de ver os interesses dos grandes grupos econômicos se
sobrepor aos interesses do povo. Esperamos que Vossa Excelência não permita que
o milho transgênico destrua nossa biodiversidade e coloque em risco a saúde dos
brasileiros e brasileiras.
Fórum Nacional de Reforma Agrária e Justiça no Campo
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