Milícia armada contratada pela Syngenta ataca acampamento da Via Campesina e executa militante
Santa Tereza do Oeste, Paraná - 22/10/2007. Após reocupação nenhum refém foi mantido no local, ao contrário do que a Rede Globo informou.
Milícia armada contratada pela Syngenta ataca acampamento da Via
Campesina e executa militante
NOTA PÚBLICA
Ontem (21), por volta das 13h30, o
acampamento da Via Campesina, no campo de experimentos transgênicos da Syngenta,
em Santa Tereza do Oeste (PR), foi atacado por uma milícia armada. No massacre o
militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e membro da Via
Campesina, Valmir Mota de Oliveira (conhecido como Keno), foi executado à queima
roupa com dois tiros no peito. Os trabalhadores Gentil Couto Viera, Jonas Gomes
de Queiroz, Domingos Barretos, Izabel Nascimento de Souza e Hudson Cardin foram
gravemente feridos.
Diante dos acontecimentos a Via Campesina faz os
seguintes esclarecimentos:
1. A reocupação da área da Syngenta aconteceu
às 6h de ontem (21), por cerca 150 agricultores. Na ação os trabalhadores rurais
soltaram fogos de artifício. No momento havia quatro seguranças na área. Uma das
armas dos seguranças foi disparada e feriu um trabalhador, que foi
hospitalizado. Os agricultores desarmaram os seguranças, que em seguida
abandonaram o local. As armas foram apreendidas para serem entregues para a
polícia.
2. Por volta da 13h30, um ônibus parou em frente ao portão de
entrada e uma milícia armada com aproximadamente 40 pistoleiros fortemente
armados desceu metralhando as pessoas que se encontravam no acampamento. Eles
arrombaram o portão, executaram o militante Keno com dois tiros no peito,
balearam outros cinco agricultores e espancaram Isabel do Nascimento de Souza,
que continua hospitalizada em estado grave.
3. A milícia atacou o
acampamento para assassinar as lideranças e recuperar as armas ilegais da
empresa NF Segurança, que foram apreendidas pelos trabalhadores. Os dirigentes
do MST Celso Barbosa e Célia Aparecida Lourenço chegaram a ser perseguidos pelos
pistoleiros, mas conseguiram escapar durante o ataque.
4. A Syngenta
utilizava serviços de uma milícia armada, que agia através da empresa de fachada
NF Segurança, em conjunto com a Sociedade Rural da Região Oeste (SRO) e o
Movimento dos Produtores Rurais (MPR), ligado ao agronegócio.
5. A
denúncia da atuação de milícias armadas na região Oeste do Paraná foi reforçada
durante uma audiência pública, na última quinta-feira (18), para a coordenação
da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal dos Deputados
(CDHM), em Curitiba (PR). Os dirigentes do MST, inclusive Keno, já vinham sendo
ameaçados há mais de seis meses, pelas milícias que estavam a serviço do
consórcio SRO/MPR/Syngenta. Um inquérito havia sido aberto para apurar as
denúncias contra a Syngenta e a NF Segurança.
6. A Rede Globo vem
sustentando em suas reportagens que a Via Campesina teria mantido reféns durante
a reocupação. A versão da Rede Globo e de outros veículos da grande imprensa têm
como objetivo criminalizar os movimentos sociais e retirar de foco o ataque
realizado pela milícia da Syngenta, que executou um trabalhador e deixou outros
feridos. A Via Campesina esclarece que não houve, em nenhuma hipótese, reféns
durante a ocupação.
7. A Via Campesina exige punição dos responsáveis
pelos crimes – principalmente os mandantes –, a desarticulação da milícia armada
na região e o fechamento imediato da empresa de segurança NF. Além da garantia
de segurança e proteção das vidas dos dirigentes Celso e Célia, e de todos os
trabalhadores da Via Campesina, na região.
8. Os camponeses seguem na
luta para que a área de experimentos ilegais de transgênicos da Syngenta seja
transformada em Centro de Agroecologia e de reprodução de sementes crioulas para
a agricultura familiar e a Reforma Agrária.
Histórico
O
campo de experimentos da Syngenta havia sido ocupado pelos camponeses em março
de 2006 para denunciar o cultivo ilegal de sementes transgênicas de soja e
milho. A ocupação tornou os crimes da transnacional conhecidos em todo o mundo.
Após 16 meses de resistência, no dia 18 de julho deste ano, as 70 famílias
desocuparam a área, se deslocando para um local provisório no assentamento Olga
Benário, também em Santa Tereza do Oeste (PR).
VIA
CAMPESINA
Informações à imprensa:
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(41) 96068117 - Ana Carolina / (41) 96765239 - Jakeline
--
Ataque
de milicias armadas da Syngenta deixa mortos e feridos
Durante um
ataque de uma milícia com cerca de 40 pistoleiros ao acampamento do campo de
experimento da multinacional Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste, ás 13h30,
de hoje (21), o militante da Via Campesina, Valmir Mota foi executado a queima
roupa com dois tiros no peito, seis trabalhadores ficaram gravemente feridos e
há suspeitas de que um pistoleiro foi morto.
Os feridos Gentil Couto
Viera, Jonas Gomes de Queiroz, Domingos Barretos, Izabel Nascimento de Souza e
Hudson Cardin, foram encaminhados para os hospitais da região. Izabel está em
coma e corre risco de morte.
A área da Syngenta foi reocupada na manhã de
hoje (21), por cerca 150 pessoas da Via Campesina. O campo de experimento da
empresa havia sido ocupado pelos camponeses em março de 2006, para denunciar o
cultivo ilegal de reprodução de sementes transgênicas de soja e milho. A
ocupação tornou os crimes da transnacional conhecidos em todo o mundo. Após 16
meses de resistência no dia 18 de julho, deste ano, as 70 famílias desocuparam a
área, se deslocando para um local provisório no assentamento Olga Benário,
também em Santa Tereza do Oeste.
Na reocupação os trabalhadores rurais
soltaram fogos de artifício e os seguranças, que estavam na fazenda abandoram o
local. Por volta da 13h30, um micro ônibus parou em frente ao portão de entrada,
uma milícia armada com aproximadamente 40 pistoleiros fortemente armados, desceu
atirando em direção as pessoas que se encontravam no local. Arrombaram o portão,
executaram o militante Valmir Mota com dois tiros, balearam outros cinco
agricultores e espancaram Isabel do Nascimento de Souza, que encontra-se
hospitalizada gravemente ferida.
A Syngenta contratava serviços de
segurança que atuavam de forma irregular na região articulados com a Sociedade
Rural da Região Oeste (SRO) e o Movimento dos Produtoes Rurais (MPR). Uma das
diretoras da empresa de segurança NF, foi presa e o proprietário fugiu durante
uma operação da Polícia Federal no mês de outubro, onde foram apreendidos
munições e armas ilegais.
Há indícios de que a empresa é contratada de
fachada, e que na hora das operações são contratados mais seguranças de forma
ilegal, formando uma milícia armada que atua praticando despejos violentos e
ataques a acampamentos na região. Na última quinta-feira (18), a denúncia da
atuação de milícias armadas ligadas á SRO/MPR e Syngenta na região Oeste foi
reforçada durante uma audiência pública, com a coordenação da Comissão de
Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal dos Deputados (CDHM), em
Curitiba.
A Via Campesina cobra da justiça a apuração do ataque, contra
os trabalhadores do acampamento, que juntamente com o assentamento Olga Benário
continuam lutando para transformar a área num Centro de Agroecologia e de
reprodução de sementes crioulas para a agricultura familiar e reforma
agrária.
Os moradores do assentamento Olga Benário, que faz divisa com a
área de experimento da Syngenta, também são contra os experimentos transgênicos
no local, que vai contaminar a produção de sementes crioulas do assentamento, e
trazer prejuízos para a alimentação, a saúde e o meio ambiente.
Via
Campesina
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