V Congresso Brasileiro de Agroecologia repudia CTNBio e liberação do milho transgênico
GUARAPARI - ES, 04/10/2007. Os 255 membros da Associação Brasileira de Agroecologia, reunidos em sua Assembléia Geral, dia 03 de outubro de 2007, assim como os mais de 2000 congressistas reunidos em Guarapari, ES, em sua plenária final de 04 de outubro de 2007, aprovaram uma moção de repúdio aos procedimentos sendo encaminhados na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio, ao mesmo tempo que solicitam providências que garantam a biossegurança no Brasil.
MOÇÃO APROVADA NO V CONGRESSO BRASILEIRO DE AGROECOLOGIA
à
CTNBio
Neste ano de 2007 a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança --
CTNBio, vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia já aprovou o plantio
comercial de três variedades de milho transgênico.
Desde sua reformulação
no final de 2005 com base na nova lei de biossegurança que setores organizados
da sociedade civil vêm criticando sua composição e sua forma de operar, que
favorecem a promoção dos interesses da indústria de biotecnologia e não o
princípio da precaução e a biossegurança. A análise de risco dos transgênicos
deve ser feita com base em metodologias cientificamente sólidas e por
profissionais isentos. Infelizmente, não é o que se observa na
CTNBio.
Apesar de estar avançando em sua pauta de liberações comerciais,
a CTNBio até o momento não estabeleceu critérios para a avaliação dos pedidos de
liberação comercial de transgênicos nem metodologias para análise de risco dos
transgênicos. Os pareceres e decisões do Colegiado vêm se dando de forma
subjetiva, variando de membro para membro. Essa falta de padronização é
incompatível com uma boa prática científica justamente por estar tão sujeita a
subjetividades e julgamentos individuais.
Também vem comprometendo o
rigor científico da CTNBio o fato de a Comissão ser composta majoritariamente
por biotecnólogos. Para além da questão de possíveis conflitos de interesse, que
deve ser seriamente analisada para se garantir a isenção da Comissão, do ponto
de vista científico, esta composição não garante a aplicação do princípio da
biossegurança, que norteia a legislação em vigor. Desenvolver transgênicos e
avaliar seus riscos são atividades distintas do ponto de vista científico, cujo
exercício demanda metodologias e abordagens diferenciadas.
Os ruralistas,
a indústria de biotecnologia e setores do agronegócio muito lutaram para tornar
facultativo o estudo de impacto ambiental prévio à liberação de transgênicos,
deixando a decisão sobre a necessidade de sua realização a cargo da própria
CTNBio.
Espanta-nos que as liberações comerciais estejam acontecendo e
que o EIA/RIMA esteja sendo dispensado pela CTNBio sem que esta tenha definido
critérios científicos para deliberar se a atividade apresenta ou não potencial
de degradação ambiental, como manda a Constituição Federal.
O argumento
de autoridade científica não pode continuar legitimando atitudes arbitrárias e
anti-científicas dessa Comissão, que não tem tratado com seriedade os reais
riscos à saúde, ao meio ambiente e à agricultura resultantes da liberação
comercial dos transgênicos.
Ao contrário da visão que predomina na
CTNBio e em boa parte do Governo Federal, o advento da transgenia não diz
respeito apenas a uma questão de mercado, mas principalmente de saúde pública,
de equilíbrio ambiental, de direito de agricultores e consumidores e de modelo
tecnológico.
Por fim, solicitamos a revogação das liberações já
concedidas, a suspensão de futuras aprovações até que a CTNBio passe a funcionar
de forma isenta, transparente e cientificamente fundamentada.
Guarapari,
04 de outubro de 2007.
Associação Brasileira de Agroecologia
V
Congresso Brasileiro de Agroecologia
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MOÇÃO DA
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGROECOLOGIA CONTRA A LIBERAÇÃO COMERCIAL DO MILHO
TRANSGÊNICO
Ao Presidente da República
Aos Ministros do Conselho
Nacional de Biossegurança
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança -
CTNBio aprovou nos últimos meses o pedido de liberação comercial de três
variedades de milho transgênico. As aprovações ocorreram com grandes
ilegalidades no procedimento de avaliação de risco, tais como o sigilo de
diversos documentos, documentação em inglês, insuficiência da Audiência Pública,
ausência de respostas a questões apresentadas pela sociedade civil,
insuficiência da análise de risco sobre danos à saúde humana e animal e ausência
de análise de risco ambiental nos diferentes ecossistemas brasileiros. Por estas
razões, tanto a ANVISA, quanto o IBAMA já se manifestaram contra a primeira das
aprovações da
CTNBio, apresentando recurso ao Conselho Nacional de
Biossegurança - CNBS.
Estas questões levantam dúvidas sobre a conduta da
CTNBio, que ao nosso ver é uma instância viciada que coloca os interesses
econômicos do agronegócio acima da biossegurança.
Desta forma e
considerando que:
1. Inexiste, no Brasil, um plano de coexistência
entre cultivos transgênicos com outros sistemas de cultivo (convencional,
orgânico ou agroecológico), o que causará enormes prejuízos aos mais de 4
milhões de pequenos agricultores e ao patrimônio genético do País;
2. Os
casos de contaminação da produção de soja orgânica e convencional por
transgênicos demonstram que a coexistência de outros sistemas de produção com a
produção transgênica é impossível nas atuais condições da cadeia produtiva no
Brasil.
3. O Brasil é detentor de uma grande agrobiodiversidade de
espécies cultivadas de milho;
4. O milho é alimento de uso diário da
população brasileira e utilizado também em larga escala na alimentação de
animais e produtos industriais.
Exigimos dos Ministros que compõe o
Conselho Nacional de Biossegurança:
1. Que revoguem imediatamente as
decisões da CTNBio de liberação comercial do milho transgênico;
2. Que
estabeleçam diretrizes para a atuação da CTNBio, calcadas no Princípio da
Precaução.
3. Que determinem medidas para proteger os produtores de soja
convencional e orgânica contra a contaminação por transgênicos.
4. Que a
atual CTNBio seja dissolvida e dê lugar a uma comissão isenta, formada por
especialistas em avaliação de riscos de transgênicos e não por
biotecnólogos.
Guarapari, 04 de outubro de 2007