Promoção da agroecologia na cidade do Rio de Janeiro / RJ
A AS-PTA vem desenvolvendo, desde outubro de 1999, o Programa de Agricultura Urbana na zona oeste do município do Rio de Janeiro, RJ. Neste programa é estimulado o aproveitamento de pequenos espaços em comunidades dentro da cidade para o cultivo de alimentos, plantas medicinais e criações de animais, sob um enfoque agroecológico. O trabalho é desenvolvido a partir do reconhecimento e da valorização das experiências espontâneas e dos conhecimentos dos moradores, da facilitação do acesso aos conhecimentos técnicos apropriados, do incentivo à experimentação, bem como do apoio a variadas formas de organização local.
Programa de agricultura urbana
Promovendo a agroecologia na cidade do Rio de Janeiro
Introdução
A AS-PTA vem desenvolvendo, desde outubro de 1999, o Programa de Agricultura Urbana na zona oeste do município do Rio de Janeiro, RJ.
Neste programa é estimulado o aproveitamento de pequenos espaços em comunidades dentro da cidade para o cultivo de alimentos, plantas medicinais e criações de animais, sob um enfoque agroecológico.
O trabalho é desenvolvido a partir do reconhecimento e da valorização das experiências espontâneas e dos conhecimentos dos moradores, da facilitação do acesso aos conhecimentos técnicos apropriados, do incentivo à experimentação, bem como do apoio a variadas formas de organização local.
Hipóteses e princípios metodológicos
· Mesmo nas comunidades mais urbanizadas, existem moradores e moradoras que têm conhecimentos relativos à agricultura, e que desenvolvem espontaneamente uma grande diversidade de iniciativas. As mais comuns e generalizadas são variadas formas de utilização produtiva de quintais familiares e o uso de remédios caseiros a base de plantas;
· A agricultura na cidade cumpre diversas funções na vida das famílias e das comunidades: aumento dos níveis de segurança alimentar e nutricional dos moradores; fortalecimento dos laços de sociabilidade; vínculos com culturas e hábitos dos locais de origem dos moradores; cultivo de plantas medicinais para uso em remédios caseiros; melhorias do ambiente das casas e das comunidades; função terapêutica, pelo gosto e prazer de trabalhar a terra;
· Existem organizações locais que, se fortalecidas, podem desempenhar papel importante no fomento e incentivo à agricultura;
· Existe potencial para a mobilização de pessoas que ainda não adotam práticas agrícolas, por meio da criação de dinâmicas de interação social baseadas na valorização e intercâmbio das experiências já existentes e na busca de novos conhecimentos apropriados.
Áreas de abrangência e parcerias
· Cerca de 20 comunidades de baixa renda, em sua maioria na zona oeste do município do Rio de Janeiro, RJ.
· Aproximadamente 400 quintais familiares e espaços coletivos.
· São estimuladas as redes sociais locais, regionais e de âmbito estadual e nacional, em torno das questões da agroecologia no meio urbano.
· Os principais parceiros são organizações comunitárias, Pastoral da Criança, Rede Fitovida, e as articulações estadual e nacional de agroecologia.
· O programa tem ainda como objetivo gerar referências para que seus ensinamentos possam servir para outras iniciativas.
Lições aprendidas nessa caminhada
Existem muitas iniciativas autônomas nas comunidades, que devem ser conhecidas e valorizadas. Deve ser dada especial ênfase ao papel das mulheres na agricultura urbana. Muitos projetos desconsideram essas iniciativas, tentando impor um modelo de horta comunitária e de gestão dos espaços concebido em gabinetes, importando insumos químicos e sementes, propondo sistemas pouco diversificados e pouco adaptados aos contextos ecológicos e culturais locais. No geral, projetos dessa natureza não se preocupam que pessoas das comunidades assumam as iniciativas, geram dependência, o que explica o seu fracasso na grande maioria dos casos. Há ainda, em alguns casos, o uso eleitoreiro dos projetos, o que é ainda mais grave.
Os quintais familiares são os espaços privilegiados da prática da agricultura na cidade. Estão em todas as comunidades urbanas, fazem parte das casas e das vidas das famílias, cumprem diversas e importantes funções. Nos quintais estão as experiências mais ricas e devem ser prioridade nas ações de incentivo. O enfoque agroecológico permite valorizar os conhecimentos dos moradores, resgatando culturas e valores adormecidos, aproveitando ao máximo os recursos disponíveis localmente, tornando os quintais e espaços coletivos cada vez mais produtivos e diversificados.
Ações de incentivo devem valorizar essas experiências locais, dialogar com as organizações sociais das comunidades, fortalecendo-as. Devem promover cada vez mais espaços de interação social para troca de experiências e diálogo de saberes, envolvendo mais moradores, respeitando os diferentes atores e suas particularidades, com especial atenção às relações sociais de gênero e geração, criando assim um ambiente favorável ao desenvolvimento de novas iniciativas e qualificando as já existentes, promovendo, enfim, uma agricultura urbana sustentável.